Publicação · Carlos Toledo

Poemas de Amor para Curar o Mundo na Bienal do Livro de São Paulo

Carlos Toledo participa como autor do volume 2 da antologia Poemas de Amor para Curar o Mundo e encontra leitores na Bienal 2026.

Divulgação da antologia Poemas de Amor para Curar o Mundo, volume 2, com participação de Carlos Toledo
Divulgação da antologia Poemas de Amor para Curar o Mundo, volume 2, com participação de Carlos Toledo

Dedicatórias aos leitores

Uma dedicatória para cada poema

Envelhecer

Que cada idade lhe traga ternura e presença.

Carlos Toledo

São Paulo em Combustão

Que a esperança resista quando a cidade arder.

Carlos Toledo

O cuidado

Que o cuidado lhe encontre como escuta e abrigo.

Carlos Toledo

Lição de rua

Que a rua lhe ensine a não passar indiferente.

Carlos Toledo

Nome

Que seu nome e sua dignidade jamais se apaguem.

Carlos Toledo

Momento na Bienal

Encontro com autores

A literatura também acontece nesses encontros: autores, livros e histórias compartilhando o mesmo espaço.

Carlos Toledo ao lado de outro autor participante, com o público e a identidade visual da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo ao fundo.
Autores reunidos na Bienal do Livro de São Paulo.
Carlos Toledo ao lado de outro autor participante diante dos portais coloridos da Bienal do Livro de São Paulo de 2026.
Encontro entre autores nos portais coloridos da Bienal 2026.

Há poemas que não prometem apagar as feridas, mas oferecem linguagem, companhia e presença para atravessá-las.

Carlos Toledo participa como autor do volume 2 da antologia Poemas de Amor para Curar o Mundo, publicada pela Editora Articule. A obra reúne diferentes vozes em torno do afeto, do cuidado, da esperança e da capacidade humana de reconstruir vínculos.

Os cinco poemas selecionados

  1. Envelhecer
  2. São Paulo em Combustão
  3. O cuidado
  4. Lição de rua
  5. Nome

Uma noite de poesia e encontro

A sessão de autógrafos acontece no sábado, 5 de setembro de 2026, das 19h às 21h, no estande da Editora Articule — Rua K, estande 35. Carlos Toledo participa como autor da antologia; esta publicação não atribui premiação à obra.

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo acontece de 4 a 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi, sob o conceito “Um Festival de Emoções”.

Serviço

  • Obra: Poemas de Amor para Curar o Mundo, volume 2
  • Participação: Carlos Toledo como autor
  • Data: 5 de setembro de 2026
  • Horário: 19h às 21h
  • Local: Editora Articule, Rua K, estande 35
  • Distrito Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, São Paulo

Leitura integral

Cinco poemas para ler por inteiro

Os cinco poemas de Carlos Toledo selecionados para “Poemas de Amor para Curar o Mundo” atravessam envelhecimento, cuidado, população em situação de rua, encarceramento, cidade, dignidade, nome e permanência. Esta seção reúne os textos integralmente e preserva também suas composições visuais originais.

Poema 1 de 5

Envelhecer

Na cela ao lado há um velho que despertaAntes da aurora acender o corredor.Escuta ao longe a tranca meio aberta,O passo do plantão, a tosse, algum rumor.

Pousa devagar a mão sobre o joelho,Como quem procura ali um tempo antigo.No alumínio gasto, em vez do próprio espelho,Busca o rosto de um amor já ido.

Depois, senta-se à beira da passagemE toma o sol ralo que entra pela grade.Há quem envelheça só; mas há coragemEm quem sustenta amor na adversidade.

Porque amar, mesmo ali, sem claridade,É recusar ao tempo a sua inteira fome.É guardar no peito, contra a ferrugem daidade,A chama de alguém chamando o seu nome.

Envelhecer, enfim, talvez não seja alarde:É amar devagar, e ainda assim, arder tarde.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema Envelhecer, de Carlos Toledo.
Ampliar composição original ↗

Poema 2 de 5

São Paulo em combustão

Vieram da rua com o dia nos ombros,Meus alunos, cansados e acesos.Traziam no olhar uns rumores sombriosE uns pequenos clarões indefesos.

Um falou baixo de um velho que riaguardando latinhas como quem reza.Outro contou de uma mulher que dormiaAbraçada à bolsa, por pura tristeza.

Havia rancor em muitas lembranças:a guarda, da pressa, do nojo, da chuva.Mas havia também, entre as andanças,Um resto de amor que ninguém exuma.

Porque a rua fere, mas nunca é vazia.Tem cólera, febre, silêncio e canção.Tem gente que perde o nome de diaE à noite se salva por outra mão.

E eu ouvia aquelas falas severasComo quem toca num fio de alta tensão:Ali não vinham ruínas apenas,Mas modos de amor em combustão.

São Paulo ardia em dor e desabrigo.Mas havia amor, ainda. E era perigo.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema São Paulo em combustão, de Carlos Toledo.
Ampliar composição original ↗

Poema 3 de 5

O cuidado

Às vezes o cuidado não vem logo.Fica na porta, tímido, escutando.raz uma água, ajeita um cobertor,E fala baixo para não ferir falando.

O velho então suspende a mão cansada,Segura a caneca como quem seguraNão só o metal, a água, o gesto e nada,Mas uma antiga e trêmula ternura.

Lá fora, a tarde cai no pátio estreito.Um pombo risca o ar, breve, sozinho.E há qualquer coisa, humilde, no silêncioQue devolve ao corpo um quase-ninho.

Talvez cuidar seja isto, simplesmente:Salvar do escuro o resto de uma gente.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema O cuidado, de Carlos Toledo.
Ampliar composição original ↗

Poema 4 de 5

Lição da rua

Na manhã fria da cidade enorme,Eu ia ensinar. A rua me esperava.Debaixo do viaduto, a vida, informe,Em cobertores gastos, madrugava.

Um homem, à luz de um resto de fogareiro,Mexia o café num copo trincado.Tinha no gesto qualquer coisa de obreiro,De rei sem reino, mas ainda aprumado.

Perto, uma moça penteava os cabelosCom dedos lentos, num caco de espelho.Havia sombra e dignidade entre eles,E um sol cansado tombado no joelho.

Então entendi, diante daquela cena,Que a aula não cabia em voz serena.

Ensinar, ali, não era dar sentido.Era ficar. Era escutar a rua.Era aceitar que o mundo anda partidoE, mesmo assim, há quem o amor construa.

Voltei menor, porém mais verdadeiro:Menos professor. Mais companheiro.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema Lição da rua, de Carlos Toledo.
Ampliar composição original ↗

Poema 5 de 5

Nome

Chamam por ele em voz curta e sem demora,Como se um homem coubesse num papel.O velho ergue os olhos, mas parece, agora,Que a alma foi ficando aquém da pele.

Já teve o nome dito com doçura,Na rua, em casa, à mesa, no portão.Era um modo de o amor ganhar figuraE pôr abrigo humano na oração.

Hoje, a sílaba chega fria e dura,Seca de afeto, pobre de intenção.Mas quando a enfermeira o chama com brandura,Volta uma luz à casa do coração.

Não é só som. É quase um gesto antigo,Mão invisível sobre o desabrigo.Porque dizer um nome com verdadeÉ dar a alguém de novo intimidade.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema Nome, de Carlos Toledo.
Ampliar composição original ↗

Movimento no site

O acervo continua circulando.

Contagem anônima, sem armazenar endereço IP ou identificar visitantes.

visitas contabilizadas
visualizações hoje