Publicação · Carlos Toledo
Poemas de Amor para Curar o Mundo na Bienal do Livro de São Paulo
Carlos Toledo participa como autor do volume 2 da antologia Poemas de Amor para Curar o Mundo e encontra leitores na Bienal 2026.

Dedicatórias aos leitores
Uma dedicatória para cada poema
Envelhecer
“Que cada idade lhe traga ternura e presença.”
São Paulo em Combustão
“Que a esperança resista quando a cidade arder.”
O cuidado
“Que o cuidado lhe encontre como escuta e abrigo.”
Lição de rua
“Que a rua lhe ensine a não passar indiferente.”
Nome
“Que seu nome e sua dignidade jamais se apaguem.”
Há poemas que não prometem apagar as feridas, mas oferecem linguagem, companhia e presença para atravessá-las.
Carlos Toledo participa como autor do volume 2 da antologia Poemas de Amor para Curar o Mundo, publicada pela Editora Articule. A obra reúne diferentes vozes em torno do afeto, do cuidado, da esperança e da capacidade humana de reconstruir vínculos.
Os cinco poemas selecionados
- Envelhecer
- São Paulo em Combustão
- O cuidado
- Lição de rua
- Nome

Uma noite de poesia e encontro
A sessão de autógrafos acontece no sábado, 5 de setembro de 2026, das 19h às 21h, no estande da Editora Articule — Rua K, estande 35. Carlos Toledo participa como autor da antologia; esta publicação não atribui premiação à obra.
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo acontece de 4 a 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi, sob o conceito “Um Festival de Emoções”.
Serviço
- Obra: Poemas de Amor para Curar o Mundo, volume 2
- Participação: Carlos Toledo como autor
- Data: 5 de setembro de 2026
- Horário: 19h às 21h
- Local: Editora Articule, Rua K, estande 35
- Distrito Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, São Paulo
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Leitura integral
Cinco poemas para ler por inteiro
Os cinco poemas de Carlos Toledo selecionados para “Poemas de Amor para Curar o Mundo” atravessam envelhecimento, cuidado, população em situação de rua, encarceramento, cidade, dignidade, nome e permanência. Esta seção reúne os textos integralmente e preserva também suas composições visuais originais.
Poema 1 de 5
Envelhecer
Na cela ao lado há um velho que despertaAntes da aurora acender o corredor.Escuta ao longe a tranca meio aberta,O passo do plantão, a tosse, algum rumor.
Pousa devagar a mão sobre o joelho,Como quem procura ali um tempo antigo.No alumínio gasto, em vez do próprio espelho,Busca o rosto de um amor já ido.
Depois, senta-se à beira da passagemE toma o sol ralo que entra pela grade.Há quem envelheça só; mas há coragemEm quem sustenta amor na adversidade.
Porque amar, mesmo ali, sem claridade,É recusar ao tempo a sua inteira fome.É guardar no peito, contra a ferrugem daidade,A chama de alguém chamando o seu nome.
Envelhecer, enfim, talvez não seja alarde:É amar devagar, e ainda assim, arder tarde.
Carlos Toledo

Poema 2 de 5
São Paulo em combustão
Vieram da rua com o dia nos ombros,Meus alunos, cansados e acesos.Traziam no olhar uns rumores sombriosE uns pequenos clarões indefesos.
Um falou baixo de um velho que riaguardando latinhas como quem reza.Outro contou de uma mulher que dormiaAbraçada à bolsa, por pura tristeza.
Havia rancor em muitas lembranças:a guarda, da pressa, do nojo, da chuva.Mas havia também, entre as andanças,Um resto de amor que ninguém exuma.
Porque a rua fere, mas nunca é vazia.Tem cólera, febre, silêncio e canção.Tem gente que perde o nome de diaE à noite se salva por outra mão.
E eu ouvia aquelas falas severasComo quem toca num fio de alta tensão:Ali não vinham ruínas apenas,Mas modos de amor em combustão.
São Paulo ardia em dor e desabrigo.Mas havia amor, ainda. E era perigo.
Carlos Toledo

Poema 3 de 5
O cuidado
Às vezes o cuidado não vem logo.Fica na porta, tímido, escutando.raz uma água, ajeita um cobertor,E fala baixo para não ferir falando.
O velho então suspende a mão cansada,Segura a caneca como quem seguraNão só o metal, a água, o gesto e nada,Mas uma antiga e trêmula ternura.
Lá fora, a tarde cai no pátio estreito.Um pombo risca o ar, breve, sozinho.E há qualquer coisa, humilde, no silêncioQue devolve ao corpo um quase-ninho.
Talvez cuidar seja isto, simplesmente:Salvar do escuro o resto de uma gente.
Carlos Toledo

Poema 4 de 5
Lição da rua
Na manhã fria da cidade enorme,Eu ia ensinar. A rua me esperava.Debaixo do viaduto, a vida, informe,Em cobertores gastos, madrugava.
Um homem, à luz de um resto de fogareiro,Mexia o café num copo trincado.Tinha no gesto qualquer coisa de obreiro,De rei sem reino, mas ainda aprumado.
Perto, uma moça penteava os cabelosCom dedos lentos, num caco de espelho.Havia sombra e dignidade entre eles,E um sol cansado tombado no joelho.
Então entendi, diante daquela cena,Que a aula não cabia em voz serena.
Ensinar, ali, não era dar sentido.Era ficar. Era escutar a rua.Era aceitar que o mundo anda partidoE, mesmo assim, há quem o amor construa.
Voltei menor, porém mais verdadeiro:Menos professor. Mais companheiro.
Carlos Toledo

Poema 5 de 5
Nome
Chamam por ele em voz curta e sem demora,Como se um homem coubesse num papel.O velho ergue os olhos, mas parece, agora,Que a alma foi ficando aquém da pele.
Já teve o nome dito com doçura,Na rua, em casa, à mesa, no portão.Era um modo de o amor ganhar figuraE pôr abrigo humano na oração.
Hoje, a sílaba chega fria e dura,Seca de afeto, pobre de intenção.Mas quando a enfermeira o chama com brandura,Volta uma luz à casa do coração.
Não é só som. É quase um gesto antigo,Mão invisível sobre o desabrigo.Porque dizer um nome com verdadeÉ dar a alguém de novo intimidade.
Carlos Toledo



