Capa oficial de Poemas de Amor para Curar o Mundo — volume 2

Antologia · poesia · 2026

Poemas de Amor para Curar o Mundo — volume 2

Cinco poemas de Carlos Toledo publicados na antologia 2026 da Editora Articule: cuidado, cidade, envelhecimento e dignidade em versos.

Envelhecer, São Paulo em Combustão, O cuidado, Lição de rua e Nome foram selecionados para o volume 2 de Poemas de Amor para Curar o Mundo. Carlos Toledo participa como autor dos cinco poemas. O livro foi apresentado na Bienal do Livro de São Paulo de 2026, pela Editora Articule, em uma experiência de encontro e circulação da poesia.

Participação autoral
Obra coletiva · Carlos Toledo é autor dos textos indicados abaixo
Gênero
Antologia · poesia
Ano
2026
Editora
Editora Articule
Situação
Publicado · participação em obra coletiva

MINHA PARTICIPAÇÃO

  • Envelhecer
  • São Paulo em Combustão
  • O cuidado
  • Lição de rua
  • Nome

Volume 2 · Antologia 2026 · Editora Articule. Participação com cinco poemas selecionados.

Valores conferidos em 18/10/2026. Preço, frete e disponibilidade podem mudar. Confira as condições na loja antes de comprar.

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Fonte: registro público da participação no Instagram

Leitura integral

Cinco poemas para ler por inteiro

Os cinco poemas de Carlos Toledo selecionados para “Poemas de Amor para Curar o Mundo” atravessam envelhecimento, cuidado, população em situação de rua, encarceramento, cidade, dignidade, nome e permanência. Esta seção reúne os textos integralmente e preserva também suas composições visuais originais.

Poema 1 de 5

Envelhecer

Na cela ao lado há um velho que despertaAntes da aurora acender o corredor.Escuta ao longe a tranca meio aberta,O passo do plantão, a tosse, algum rumor.

Pousa devagar a mão sobre o joelho,Como quem procura ali um tempo antigo.No alumínio gasto, em vez do próprio espelho,Busca o rosto de um amor já ido.

Depois, senta-se à beira da passagemE toma o sol ralo que entra pela grade.Há quem envelheça só; mas há coragemEm quem sustenta amor na adversidade.

Porque amar, mesmo ali, sem claridade,É recusar ao tempo a sua inteira fome.É guardar no peito, contra a ferrugem daidade,A chama de alguém chamando o seu nome.

Envelhecer, enfim, talvez não seja alarde:É amar devagar, e ainda assim, arder tarde.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema Envelhecer, de Carlos Toledo.
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Poema 2 de 5

São Paulo em combustão

Vieram da rua com o dia nos ombros,Meus alunos, cansados e acesos.Traziam no olhar uns rumores sombriosE uns pequenos clarões indefesos.

Um falou baixo de um velho que riaguardando latinhas como quem reza.Outro contou de uma mulher que dormiaAbraçada à bolsa, por pura tristeza.

Havia rancor em muitas lembranças:a guarda, da pressa, do nojo, da chuva.Mas havia também, entre as andanças,Um resto de amor que ninguém exuma.

Porque a rua fere, mas nunca é vazia.Tem cólera, febre, silêncio e canção.Tem gente que perde o nome de diaE à noite se salva por outra mão.

E eu ouvia aquelas falas severasComo quem toca num fio de alta tensão:Ali não vinham ruínas apenas,Mas modos de amor em combustão.

São Paulo ardia em dor e desabrigo.Mas havia amor, ainda. E era perigo.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema São Paulo em combustão, de Carlos Toledo.
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Poema 3 de 5

O cuidado

Às vezes o cuidado não vem logo.Fica na porta, tímido, escutando.raz uma água, ajeita um cobertor,E fala baixo para não ferir falando.

O velho então suspende a mão cansada,Segura a caneca como quem seguraNão só o metal, a água, o gesto e nada,Mas uma antiga e trêmula ternura.

Lá fora, a tarde cai no pátio estreito.Um pombo risca o ar, breve, sozinho.E há qualquer coisa, humilde, no silêncioQue devolve ao corpo um quase-ninho.

Talvez cuidar seja isto, simplesmente:Salvar do escuro o resto de uma gente.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema O cuidado, de Carlos Toledo.
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Poema 4 de 5

Lição da rua

Na manhã fria da cidade enorme,Eu ia ensinar. A rua me esperava.Debaixo do viaduto, a vida, informe,Em cobertores gastos, madrugava.

Um homem, à luz de um resto de fogareiro,Mexia o café num copo trincado.Tinha no gesto qualquer coisa de obreiro,De rei sem reino, mas ainda aprumado.

Perto, uma moça penteava os cabelosCom dedos lentos, num caco de espelho.Havia sombra e dignidade entre eles,E um sol cansado tombado no joelho.

Então entendi, diante daquela cena,Que a aula não cabia em voz serena.

Ensinar, ali, não era dar sentido.Era ficar. Era escutar a rua.Era aceitar que o mundo anda partidoE, mesmo assim, há quem o amor construa.

Voltei menor, porém mais verdadeiro:Menos professor. Mais companheiro.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema Lição da rua, de Carlos Toledo.
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Poema 5 de 5

Nome

Chamam por ele em voz curta e sem demora,Como se um homem coubesse num papel.O velho ergue os olhos, mas parece, agora,Que a alma foi ficando aquém da pele.

Já teve o nome dito com doçura,Na rua, em casa, à mesa, no portão.Era um modo de o amor ganhar figuraE pôr abrigo humano na oração.

Hoje, a sílaba chega fria e dura,Seca de afeto, pobre de intenção.Mas quando a enfermeira o chama com brandura,Volta uma luz à casa do coração.

Não é só som. É quase um gesto antigo,Mão invisível sobre o desabrigo.Porque dizer um nome com verdadeÉ dar a alguém de novo intimidade.

Carlos Toledo

Composição visual original do poema Nome, de Carlos Toledo.
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